2 de jan. de 2021

O Jogo Do Anjo - Carlos Ruiz Zafón

Quando não se tem dinheiro pra comprar mais livros, a biblioteca está fechada por causa de uma pandemia e você acaba tendo que pegar um livro da estante pra ler, dá nisso:

Sinopse

"Enquanto guia seus leitores por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros Esquecidos, Zafón constrói uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade. O autor conta que se permitiu brincar com o formato da obra, que combina diferentes estilos: “O Jogo do Anjo é, a meu ver, uma história de mistério e romance que, como a A Sombra do Vento, explora e combina numerosos gêneros, técnicas e registros. É novamente uma história de livros, de quem os faz, de quem os lê e de quem vive com eles, através deles e até contra eles. É uma história de amor, amizade e, em alguns momentos, sobre o lado obscuro de cada um de nós. Pelo menos essa é minha ambição, oferecer ao leitor uma experiência intensa e convidá-lo ao jogo da literatura.” O protagonista e narrador do romance é David Martín, um jovem escritor que vive em Barcelona na década de 20. Aos 28 anos, desiludido no amor e na vida profissional e gravemente doente, o escritor David vive sozinho num casarão em ruínas. É quando surge Andreas Corelli, um estrangeiro que se diz editor de livros. Sua origem exata é um mistério, mas sua fala é suave e sedutora. Ele promete a David muito dinheiro, e sua simples aparição parece devolver a saúde ao escritor. Contudo, o que ele pede em troca não é pouco. E o preço real dessa encomenda é o que David precisará descobrir."

O autor

"Carlos Ruiz Zafón foi um escritor espanhol. Em 1993 ganhou o prêmio Edebé de literatura com seu primeiro romanceO Príncipe da Névoa, que vendeu mais de 150 mil exemplares na Espanha e foi traduzido em vários idiomas. Transformou-se numa das maiores revelações literárias com A Sombra do Vento, que foi traduzido em mais de trinta idiomas e publicado em cerca de 45 países, e foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Em Portugal, essa obra foi premiada com as Correntes d'Escritas, do ano de 2006. Seu romance O Jogo do Anjo escrito em 2008, teve mais de um milhão de exemplares vendidos na Espanha. Esses números colocam Zafon como o mais bem sucedido escritor contemporâneo espanhol, junto com Javier Sierra, cujos trabalhos foram publicados em quarenta e dois países, e Juan Gómez-Jurado, cujos trabalhos foram publicados em quarenta e um países. Morreu no dia 19 de junho de 2020 em Los Angeles, aos 55 anos, em decorrência de um câncer."

Minha Sinopse

Um escritor que quer ganhar a vida escrevendo mas que acaba se metendo numa baita enrascada espiritual, tipo Fausto e Riobaldo, que o obriga a virar um tipo de detetive pra descobrir quem que tá ferrando com sua existência, enquanto conhece mulheres maravilhosas e estraga a vida de pelo menos uma delas...

"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura serà capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome escrito num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele." 

Leitura

Pois é, esse livro já estava naquele cantinho meio Toy Story de onde iria para troca no Sebo. Mas aí a falta de grana e impossibilidade de entrar no meu lugar preferido do mundo (Biblioteca Pública da minha cidade) devido a pandemia, fez com que eu salvasse essa belezinha de ter que viver uma aventura com outras obras literárias tentando fugir dos exemplares malvados do Olavo de Carvalho numa loja de antiguidades. (Já parou pra imaginar um Toy Story de livros? Os diálogos seriam ótimos!!!)

18/12 No começo da leitura fiquei meio pé atrás, não estava me prendendo, apesar da escrita ser muito boa e de alguns momentos serem até engraçados, a trama não me pegou logo de cara. O que facilitou a experiência foi o fato dos capítulos serem curtos (uma salva de palmas para livros com capítulos curtos!) e eu fui me forçando a ler pelo menos um por dia até a leitura engrenar. 

"O silêncio faz com que até os idiotas pareçam sábios por um minuto."

19/12 Comecei a me interessar pela história só quando o cara estranho de terno finalmente revelou para o protagonista o que ele queria dele. Quando entra a menina na trama também ajuda bastante, pois ela traz um diálogo com o personagem principal que antes não era possível.

 Agora, eu decidi que quero terminar de ler antes do ano novo, então dividi a obra em quatro partes para ler tudo o que não li até agora em quatro dias. (Risos internos) Duvido que eu consiga. Conto no próximo parágrafo!

"- Não tenha vergonha de ter medo. Ter medo é sinal de bom senso. Os únicos que não têm medo de nada são os idiotas completos. Li isso num livro."

"- O manual do covarde?"

"- Não precisa admitir se isso coloca seu sentimento de masculinidade em risco. Sei que para vocês, homens, o tamanho da teimosia corresponde ao tamanho daquelas partes."

28/12 Claro que não, e você já sabia. Mas está ficando mais intrigante a trama toda. Agora temos um mistério no ar, e o protagonista está tentando desvendar, o tipo de narrativa que sempre agrada o leitor: um herói tentando descobrir alguma coisa... 

A menina, Isabella, salvou o livro pra mim, respostas rápidas e inteligência feminina proporcionam momentos que dão gosto de ler, como diria minha tia, e para minha surpresa uma referência ao livro da Charlotte Brontë, Jane Eyre, leitura preferida do ano! Que alegria!

"- Atenção com essa história de fraternidade. De qualquer maneira, chega de "eu faço, eu aconteço" e de surtos de Mister Rochester."

"- Como quiser, Miss Eyre"

29/12  Tá bom, daqui em diante eu não consegui mais parar de ler. A história entra meio naquele estilo Agatha Christie em que o personagem sai fazendo perguntas para várias pessoas, e uma leva à outra, que leva à outra, e o leitor vai ficando cada vez mais curiosos pra saber o que vai acontecer e qual é a verdade por trás dos acontecimentos. 

"Uma pessoa acaba se transformando naquilo que vê nos olhos de quem deseja."

31/12 Uau! Uma revelação sensacional esquentou tudo agora, e eu fiquei voltando as páginas pra tentar entender, mas gostei muito, porque adoro livros que me surpreendem. E que raiva do Martín por não acreditar na Cristina! 

Estamos em plena virada do ano de 2020 pra 2021 e eu aqui grudada no livro, vou literalmente virar lendo, porque não consigo desgrudar até que tudo esteja esclarecido e resolvido. Já sei que Isabella é minha personagem preferida, mas também gostei bastante do Andreas Corelli. Sim, me identifiquei com o vilão quando ele joga na cara do leitor algumas verdades sobre a humanidade e a fé que professamos. Adoro personagens que trazem o lado sombrio, o pessimismo realista que muitas pessoas não aceitam ou não querem enxergar. 

"Poesia à parte, uma religião vem a ser um código moral que se expressa através de lendas, mitos ou qualquer tipo de objeto literário, com o objetivo de estabelecer um sistema de crenças, valores e normas que sirvam para regular uma cultura ou uma sociedade."

01/01/21 Terminei nos primeiros minutos do ano novo, e apesar de o começo ter sido desinteressante, o final do livro me pegou de jeito. É muito instigante. Zafón é um super escritor de suspense e toda ambientação que ele faz te leva para os lugares mais macabros.

Nas últimas páginas minha filha olhou pra mim e chamou atenção para a cara que eu estava fazendo enquanto lia, realmente não tem como não entrar dentro da história e ficar emocionalmente envolvida com a trama. 

"O que cremos, o que conhecemos, o que recordamos e até o que sonhamos. Tudo é um conto, uma narração, uma sequência de acontecimentos e personagens que comunicam um conteúdo emocional. Um ato de fé é um ato de aceitação, aceitação de uma história que nos foi contada. Só aceitamos como verdadeiro aquilo que pode ser narrado."

O final é lindo, mas parece que tem uma continuação que explica melhor as coisas. Não sei se vou ler porque suspense não é muito a minha praia literária, mas essa leitura com certeza me surpreendeu e eu já tenho o que recomendar quando alguém pedir indicação de um bom livro do gênero. 

Não sei se é uma boa passar a virada de ano lendo uma obra tão sombria, será que assim como as cores das roupas e calcinhas, o livro que você lê influencia em como serão seus próximos dias? Se for o caso eu prefiro acreditar que minha sorte será ler muitos livros intensos e bem escritos, que não permitem que os larguemos nem mesmo durante uma Festa de Reveillon. Porque é impossível que 2021 seja mais tenebroso do que 2020, nem Carlos Ruiz Zafón conseguiria escrever uma história tão macabra como a que vivenciamos nesse ano em nosso país. 

"... o homem é um animal moral num universo amoral, condenado a uma existência finita e sem nenhum outro significado além de perpetuar o ciclo natural da espécie. É impossível sobreviver num estado prolongado de realidade , pelo menos para o ser humanos. Passamos boa parte de nossa vida sonhando, sobretudo quando estamos acordado."


23 de dez. de 2020

O Oráculo Da Noite - Sidarta Ribeiro

O cérebro humano é uma coisa muito maravilhosa! Esse livro fala sobre a história do sonho e a importância de termos uma boa noite de sono!




Sinopse
"O que é, afinal, o sonho? Para que ele serve? Como extrair sentido de seus tantos símbolos, repletos de detalhes e significados?
Neste livro, o renomado neurocientista Sidarta Ribeiro responde a essas e muitas outras questões sobre um dos grandes enigmas da humanidade ao recuperar narrativas literárias e históricas do mundo todo. Ele mostra como os sonhos eram importantes às civilizações antigas, como no Egito e na Grécia, situando-os no cerne da ciência e da política, ou como as culturas ameríndias preservam alguns dos exemplos mais bem documentados de profecias oníricas capazes de guiar povos inteiros. Ao mobilizar os principais debates da psicanálise, da medicina, da biologia molecular e da neurofisiologia, O oráculo da noite apresenta uma história da mente humana pelo fio condutor do sonho."

Eu adoro o Sidarta Ribeiro, autor do livro. Ele fala do cérebro de um jeito muito fácil de entender. Além de colocar momentos de sua própria trajetória de vida para ajudar a contar a história dos sonhos e até onde eles nos trouxeram, dá pra ver que ele teve uma grande dedicação ao escrever essa obra. 

"A matéria dos sonhos são as memórias, ninguém sonha sem ter vivido"

Existe algum ser humano na face dessa terra REDONDA que não se interessa pela mente humana? Tudo que diz respeito ao nosso funcionamento mental é tão incrível que eu não vejo como alguém pode não ter curiosidade de entender o que se passa em sua própria cabeça. 

"Memórias são cicatrizes, e sua ativação durante o sono possui causa e significado"

O livro conta a história do cérebro, a história da ciência do sono, a história dos sonhos, a história do Sidarta Ribeiro, então pra você que gosta de ler uma história não tem desculpa só porque o livro é científico. Mas, sim, é livro para estudar. Dá pra ler só por diversão? Total! Dá sim, principalmente se você for nerd. Mas em geral é uma obra com muita informação, que você vai gostar de sublinhar, marcar, anotar, reler. 

"Os primeiros deuses se originaram das representações mentais dos ancestrais falecidos"

O que achei mais interessante

Sinapses - Existe um tipo de seleção natural de sinapses, onde as sinapses de certos comportamentos quando bem sucedidas são fortalecidas e quando mal sucedidas são enfraquecidas. 

O sono - A vida na terra passou a existir já com noite e dia, e foi evoluindo levando em conta esses fatores. Então, surgiram mecanismos biológicos que ligavam com a luz (dia) e desligavam na ausência dela (noite). O que deu origem ao ritmo circadiano.
 Até hoje a nossa retina comunica à glândula pineal se há ou não a presença de luz, fazendo com que ela produza melatonina que provoca sono.
Um ciclo completo de sono demora uma hora e meia, e se repete de quatro a cinco vezes por noite. A privação de sono causa acumulo de toxinas no cérebro, que mais tarde pode causar doenças como Alzheimer. Cinco horas de sono por noite já pode ser considerado como estado de privação.
 
Memória - A memória declarativa diz respeito as coisas que você aprende por meio da fala, instruções ou explicações. Já as memórias de procedimento são aquelas que temos que praticar para aprender, que envolvem movimentos como andar de bicicleta ou tocar piano. 

Psicodélicos e Psicofármacos - O Autor faz questão de deixar bem claro que o que consideramos drogas ilegais hoje em dia é o futuro do tratamento de saúde mental, e que os antidepressivos e coleguinhas estão com seus dias contados. Os alucinógenos com um bom acompanhamento psicológico podem ajudar muito mais do que as drogas que estão disponíveis no mercado atual, e com menos ou nenhum efeito colateral. 

Sonho e memória - Quando você começa a aprender algo, sonha muito com o que está aprendendo. Com o passar do tempo essas imagens do que foi aprendido começam a se misturar com as memórias antigas. Isso indica que o cérebro está abrindo aquelas "gavetas" para guardar as novas informações. Ou seja, as memórias estão se deslocando do hipotálamo para o córtex cerebral. Por isso, nos sonhos as informações novas e antigas se misturam.

O sonho seria uma espécie de simulação da realização dos nossos desejos e possibilidades, mas em um ambiente seguro. Um oráculo que se utiliza das informações do passado para tentar prever o que pode acontecer no futuro. 

Para sonhar é preciso que exista a liberação de dopamina, substância relacionada com a motivação e recompensa, ou seja, sonhar é mesmo desejar, como já dizia Freud. Além disso, a dopamina também é encontrada em altas doses em casos de esquizofrenia, o que nos leva a pensar que talvez a loucura seja apenas um sonho acordado. 

O Sonho lúcido - Ele está para o sonho como a meditação está para a vigília, provocado pelo cortéx pré frontal faz você ter consciência que está sonhando e te faz ter controle sobre o conteúdo onírico. Segundo pesquisas você pode até fazer algum tipo de treinamento enquanto dorme e quando acorda suas habilidades estão melhores do que quando dormiu. O sonho lúcido parece ser o futuro dos estudos sobre sonho, poder controlar o mundo interno como uma espécie de The Sims de si mesmo. 

"Se a invasão da vigília pelo sonho foi crucial para a evolução da nosso modo de pensar, a evolução de nossa mente daqui para a frente talvez esteja ligada à capacidade de despertar dentro do sonho e assim expandir os modos de consciência conhecidos."

Eu confesso que não dava muita atenção para os meus sonhos mesmo antes de ler essa obra. Achava que eram apenas restos diurnos misturados sem que precisasse fazer sentido. Mas lendo tudo que Sidarta escreve você se dá conta de que o sonho é muito mais que isso, e que foi muito importante para que os seres humanos chegassem onde estamos agora (não que seja muito bom aqui). 

Entender o encéfalo humano é tão fundamental para compreender de onde viemos e porque somos assim! É ali que mora nossa alma e todos nossos ancestrais, foi a partir dos sonhos provocados por esse órgão que passamos a nos comunicar, quando o que só acontecia no sonho passa a acontecer também na vigília temos o início da consciência humana e passamos a elaborar uma cultura tão rica que nos proporciona ir além do nosso próprio planeta. 

Contudo, talvez o que a humanidade precisa não seja olhar para o espaço somente, mas olhar para dentro de nós mesmos, pra essa maravilha que é o cérebro humano e tudo que ele nos oferece. 

Quando terminei

Eu demorei muito para terminar de ler O Oráculo da Noite, tudo bem que eu já tenho essa dificuldade mesmo de terminar os livros, mas não foi porque achei a obra chata, muito pelo contrário: o livro é sensacional! Acontece que ele traz muitas informações e algumas partes são bem complicadas de entender (não impossível) então você precisa meio que digerir antes de começar mais um capítulo. Bom, estou falando por mim. 

Mesmo assim, ainda acredito que vou precisar de uma releitura. O que não será nenhum sacrifício pois o livro é muito delicioso, mas se você devorar de uma vez talvez não obtenha todos os "nutrientes" que a obra oferece. No meu caso, fiz questão de degustar cada informação relevante e aprendizado novo. Valeu a pena!

Essa dica de leitura é uma boa para você que gostou de ler Sapiens, pode ter certeza que vai amar esse livro. Vai na mesma levada, contando nossa história de uma forma bastante envolvente e você pode considerar como uma continuação até!

Recomendo que leia O Oráculo da Noite antes de dormir, pois fiquei sabendo que o sono ajuda muito a apreender melhor as memórias... 






8 de dez. de 2020

Melhores leituras de 2020

Esses são os livros que mais gostei de ler no ano de 2020.

Nu, de Botas - Antônio Prata

O melhor livro que eu poderia ter lido na quarentena da pandemia de Corona Vírus. Um alento de alegria no coração em meio a tanto desespero e ansiedade. 



Acho que atualmente Antônio Prata é meu escritor preferido, leio tudo o que ele escreve e assisto a todas as lives que ele participa (se estiver lendo em outro momento da história, na pandemia tínhamos muitas lives) e escuto todos os podcasts onde ele é entrevistado. Acho ele simplesmente genial!

Nu, de botas é o livro dele que estava mais ansiosa pra ler, e agora vejo que sempre estive certa, pois é de fato o mais divertido de todos! Como pode alguém se lembrar tão bem de fatos da infância mais remota e ainda falar deles de um jeito tão bem humorado?!

Confesso que fiquei economizando muito o livro, não queria que acabasse nunca. No final decidi que tudo bem se terminasse porque esse é, com certeza, um livro que eu vou reler por pura diversão!


Partes preferidas

A primeira crônica, Gênesis, é totalmente maravilhosa. Super detalhada e com um toque poético, muito linda! A parte da história da vida da empregada e a confusão com o trabalho da mãe é quase uma lição de antropologia. 

E o que foi aquela conversa com o Bozo? Dá vontade de perguntar pro autor se foi daquele jeito mesmo. Ca ce ci co çu também foi sensacional, era algo que também sempre passou pela minha cabeça na infância. Assim como o lance da competição de brinquedos entre as crianças que eu, como o autor, só assistia. Os programas de tv não eram bem os da minha época, mas a sensação em relação à eles era exatamente a mesma. 

É muita coisa, nem consigo escrever tudo aqui. O livro é maravilhoso! Tem o clássico "Blowing in the wind" que mesmo quem não leu o livro mas gosta do Antônio, conhece! 

Já que estamos lembrando da infância, tenho que dizer que o livro me fez lembrar de um desenho que eu costumava assistir: O Fantástico Mundo de Bob. A animação mostrava como o pequeno Bob interpretava o mundo à partir do seu intelecto infantil. É mais ou menos o que o autor faz com suas memórias, ele lembra da impressão da criança naquele momento, e é isso que faz a diferença na obra. Parece que é o próprio "pratinha" que está contando a história e não sua versão adulto. 


Fazia muito tempo que eu queria ler esse livro, e ele não decepcionou. Antônio Prata é um escritor que já entrou pra história da literatura brasileira, tenho certeza que no futuro seus livros serão considerados clássicos! 

Uma das melhores leituras dessa quarentena! O Fantástico Mundo de Antônio!


Anna Karenina - Liev Tolstói

Em tempos de pandemia, quarentena, isolamento social, ansiedade no topo, o que a pessoa faz? Entra em um projeto de leitura de calhamaço clássico. Lógico!!!



Eu já andava desesperada com o Corona Vírus, não conseguia pensar em outra coisa, toda semana achava que daquela vez eu estava doente mesmo. Já estava quase enlouquecendo, quando o maravilhoso Christian Assunção decidiu fazer essa leitura coletiva de Anna Karenina. Ele literalmente salvou minha vida nessa pandemia, ou pelo menos a minha saúde mental.

O romance escrito por Liev Tolstói fala sobre famílias, mais especificamente sobre uma família em decadência e a outra em construção. Mas o mais interessante da história toda é a forma como ele apresenta os personagens, como todos são o que realmente são, sem enfeites, são puramente humanos.  

Isso é tão evidente na trama que eu, e muitos outros leitores, não consegui gostar de nenhum personagem em especial. Uma hora você ama um, depois passa a odiar o dito cujo, em outra hora tem dó daquele que odiou e amor ao que odiava. É uma maravilha! 

Eu gostei bastante dessa leitura, não conseguia parar de ler. Você olha para o tamanho desse calhamaço, escrito por um autor consagrado como Tolstói, e acha que não será capaz de ler isso tudo, que deve ser muito difícil! Nada, bobo! É muito fácil de ler, é como assistir a uma novela das seis. Quando você se dá conta já chegou na próxima parte e não tem nenhuma vontade de fechar o livro.

Muitas pessoas não conseguem gostar da personagem que dá nome à obra. Na verdade, os leitores costumam ficar divididos entre aqueles que a odeiam e aqueles que se compadecem dela. Eu confesso que senti as duas coisas, mas no final senti mesmo foi dó. Hoje posso compreender o comportamento dela, mesmo não concordando com algumas atitudes, ela é uma mulher que sofreu muito, e não deu conta de suportar toda essa dor, como fez por exemplo Dolly. Ela também não tinha uma vida nada fácil, sofreu bastante, mas conseguiu lidar com tudo isso da melhor forma possível. 

Quanto à Liévin, fiquei um pouco decepcionada com ele. Em uma parte da história eu gostava muito dele e odiava Anna, mas no final, passei a compreender Anna e me revoltei com Liévin. Achava que ele teria um final mais corajoso, mas toda crise existencial por qual passou não o levou a nada. Mas talvez quem esteja falando aqui seja meu preconceito religioso e não a leitora. 

A minha mãe é uma super noveleira, daquelas que fica extremamente revoltada quando perde um capítulo da novela por qualquer motivo. E olha que agora, na pandemia, as obras estão sendo todas reprisadas e mesmo assim ela enlouquece se não consegue assistir a trama um dia que seja. Sim, eu argumento: "Mas, mãe, você já viu essa novela, é repetida!" ela responde: "Mas eu não lembro, e depois a novela serve pra me acalmar, quando eu assisto esqueço de tudo que está me preocupando". 

Pois bem, foi isso! Foi isso que Anna Karenina fez por mim, esse novelão de Tolstói me fez esquecer a pandemia, acalmou meu coração e ainda me proporcionou contato social com leitores maravilhosos do telegram, no grupo do Christian. 

Em momentos de isolamento, ficar longe de pessoas que amamos e de amigos que nos distraem faz muita falta, não é a toa que Karenina não queria ficar sozinha na fazenda longe de Vronski e da sociedade russa, a solidão pode fazer mesmo as pessoas enlouquecerem, perderem o rumo. Foi isso que aconteceu com Anna ao ser expulsa do convívio social de seus pares, e como muita gente está fazendo nessa quarentena, ela se dopou e se afundou na mais profunda tristeza e paranóia. 

Ainda bem que nossos tempos são diferentes e temos acesso à terapia online, influenciadores digitais queridos como Christian, grupos de conversa sobre assuntos que nos interessam, e acima de tudo clássicos da literatura mundial para nos ajudar a manter a sanidade. 

Talvez nem tudo tenha mudado como gostaríamos. Em pleno 2020 estamos matando pessoas por preconceito e ignorância, destruindo o planeta que é nossa casa, e ainda somos muito machistas, pois ao lermos uma obra como essa continuamos julgando as mulheres desse livro da mesma forma que as pessoas que viveram naquele tempo fizeram. 

Contudo, acredito que a arte ainda tenha a capacidade de salvar nossas pobres almas. A literatura me salvou nessa pandemia e tenho esperança de que os livros consigam salvar a nossa sociedade em algum momento. 

Portanto, leiam Anna Karenina!



Você nunca mais vai ficar sozinha - Tati Bernardi

Tati Bernardi rasgou a barriga, abriu com os dedos e tirou de lá um relato visceral sobre o relacionamento mãe e filha. Gostei e me identifiquei porque é praticamente as coisas que eu falo na minha análise.



Eu gosto muito de ler e ouvir a Tati Bernardi porque eu me sinto menos louca. Acho admirável a coragem que ela tem de trazer relatos íntimos como se estivesse mesmo em uma sessão de terapia. O que de qualquer forma deve ser catártico pra ela. Com certeza deve dar algum alívio colocar isso tudo no papel e fingir que foi a personagem que sentiu. 

Nessa obra ela traz os perrengues da gestação, a relação com a mãe, mas principalmente como foi construída essa filha que agora vira mãe. A personagem é fictícia e parte da história também. Mas muita coisa realmente aconteceu com a autora. E isso me faz tão bem porque eu vejo que não sou a única mulher, mãe, filha de outra mulher neurótica, neurótica. O neurótica serve aqui tanto pra mim quanto pra minha mãe, e espero que não pra minha filha (apesar de achar quase impossível). 

É desses livros que dá vontade de ficar amiga da autora, de conversar com ela e perguntar se aquilo aconteceu de verdade ou é a parte inventada, conte me mais sobre isso e tals. Eu já tinha me sentido assim quando li "Depois a Louca sou eu", que não tem post aqui no diário porque nessa época tava só lendo sem registrar nada. Saco cheio da internet mesmo. 

Eu me identifiquei muito com a história de Você nunca mais vai ficar sozinha, e os dois últimos capítulos da obra são arrasadores, ou pelo menos pra mim foi demais. Eu chorei, eu engasguei, eu entrei em crise e fiquei pelo menos uns dois dias digerindo principalmente o penúltimo capítulo. Mexeu muito comigo!


Ótima leitura! Mas pra quarentena acho que não me fez muito bem...


Jane Eyre - Charlotte Brontë ... Uma grata surpresa! 

Quase que eu não leio esse livro. Não tinha vontade, nunca despertou minha curiosidade ou interesse. Mas aí o Christian Assunção fez uma leitura conjunta, e eu embarquei. Ainda bem!!!



Que livro sensacional! Parece que a personagem, Jane, arranjou uma máquina do tempo e viajou para época vitoriana porque o pensamento dela é muito feminista e atual. Ela queria ser independente e não deixava se levar pelas emoções, porém sem deixar de ser sensível. 

Quando li Jane Eyre eu tinha acabado de ler Anna Karenina, tinha amado essa leitura e não achei que outro livro poderia superar o do Tolstói, mas aí veio a Charlotte Brontë pra me contrariar. Nada como uma mulher falando sobre mulheres. Respeito muito o autor russo mas a figura que ele faz da Anna Karenina e todo machismo que aparece na sua obra é o oposto do que é apresentado por Brontë. Anna era uma mulher movida pela paixão, que sim, enfrentou a sociedade da época, mas Jane foi mais forte. Acredito que por ter sido escrita por uma mulher Jane meio que realizava todos os desejos de uma mulher da época, que se não podia fazer nada daquilo na realidade se realizava na ficção. Já Anna, como foi escrita por um homem, foi castigada por sua tentativa de liberdade, a punição que demonstra todo o machismo da obra. 

A forma como a autora engana a gente é maravilhosa, eu não desconfiava nem um pouco daquela cigana, do segredo de Rochester, e tudo que acontece depois... Eu adoro quando um livro me surpreende, e Jane Eyre faz isso mais de uma vez. E quando você pensa que não tem mais páginas suficientes para outra surpresa, vem aquele final!

Ler esse livro me deixou muito feliz. Eu sentia mesmo uma satisfação no momento da leitura, queria que esse livro não acabasse nunca. Agora fica a sensação de "será que vou ler outro livro tão bom quanto esse na vida"? 



5 de dez. de 2020

Blogagem conjunta #estaçãoblogagem

Esse post está sendo escrito graças à duas heroínas que decidiram que já era hora das blogueiras saírem do armário novamente e dominar o mundo, pois os youtubers fizeram tudo errado. 

@alinevalek e @umacertagabi inventaram esse negócio baseado no tarô, que eu não faço ideia do que seja mas que se é pra escrever eu tô dentro, chamado #estaçãoblogagem. 

Compilei aqui todos os posts dessa aventura porque sou dessas.


O que te move 

Eu devia estar fazendo o almoço mas estou aqui escrevendo porque o que me move são as palavras, as histórias, os livros... (a fome também, mas não agora)


Essa semana o tema é "o que te move". E como essa tarefa me lembrou muito minhas aulas de redação, eu vou escrever sobre escrever. 

Não é um desejo é uma necessidade

Quando eu era criança, era doida pra aprender a ler e escrever. Ficava juntando letras e perguntando para os parentes o que eu tinha escrito, obviamente nunca consegui formar uma palavra que fizesse sentido, mas se dependesse de mim poderia criar um idioma só meu, apenas pela sensação de dominar a escrita.

Depois, fiquei louca para ter uma máquina de escrever. Era um tipo de fissura que eu tinha por aquele equipamento lindo, mas infelizmente minha família não tinha dinheiro pra comprar uma para essa pobre menina sonhadora (lágrimas). 

Eu era a única criança da sala de aula que ficava feliz quando a professora mandava escrever uma redação sobre o que quer que fosse. Claro que eu jamais demonstrava meu entusiasmo pois o bullying ainda era legalizado. Mas por dentro eu ficava em êxtase, por fora até chegava a reclamar. Tudo pela sobrevivência no ambiente escolar, não me julgue.

Mas aí, veio a vida e me levou para outros caminhos. Parei de escrever completamente. Mas uma coisa eu não abandonei: a leitura.

Os livros sempre foram meus companheiros, desde a adolescência procurava meu refúgio nas letras, nas histórias que me encantavam. E quando eu já não aguentava mais, quando as palavras começaram a transbordar de mim, eu resolvi fazer um blog pra escrever sobre o que eu lia.

Não pense, caro leitor, que eu fiz isso porque quis, por vontade própria. Não. Quando a pessoa tem esse bichinho da escrita, ela não consegue ficar sem colocar pra fora os pensamentos que habitam sua mente. A palavra falada nunca foi muito a minha, como a garota tímida e introvertida que sempre fui, as teclas ou as canetas era melhores companheiras do que um microfone ou aparelho telefônico (era o que se usava antes do celular, crianças). 

A verdade é que existe um certo tipo de pessoa que tem a necessidade de escrever. Por mais que esse ser humano tente ele não consegue ficar apenas na conversa fiada, na verbalização dos sentimentos, ele precisa escrever, é mais forte do que ele.

Escreva bem ou escreva mal (culpada), existe uma necessidade de conversar com o papel. De colocar pra fora, de gritar, de espirrar, de vomitar palavras muitas vezes. É que se assim não o fizer pode ter certeza que o corpo vai adoecer. 

Mais tarde, eu ganhei uma máquina de escrever. Mas já era tarde demais agora eu queria um computador (adolescentes), já havia abandonado o hábito da escrita. Uma pena, porque acredito que deveria ter seguido esse caminho de alguma forma. Assim como quem para de desenhar na infância nunca faz um cachorro que não pareça uma hiena, eu nunca desenvolvi a escrita como gostaria. 

Só, leitores e leitoras, que a terra plana dá muitas dobras, e aqui estou eu escrevendo um post pra esse blog. 

Tenho um trilhão de diários guardados, bem escondidos, porque por mais que a vida tenha me feito parar de escrever, a escrita nunca saiu de mim, porque não se trata de um desejo mas de uma necessidade .Acho que você sabe bem do que eu estou falando!



Se é pra falar sobre o plano mental vou ter que falar sobre ansiedade

Minha psicóloga já disse que não é pra eu dizer que sou ansiosa, mas pra falar que eu "estou" ansiosa. Só que ela vai ter que me desculpar, pois não me vejo de outra forma que não seja balançando a perna e apertando os dentes.

Como tive o privilégio de nascer em uma família de loucos, com a amígdala cerebral mais sensível do que as demais, tenho ansiedade (patológica) desde a infância. Portanto, tenho todo direito de me revoltar com algumas coisas de vez em quando. 

Vou dividir um pouco minhas angústias aqui com vocês, empáticos leitores:

Coisas que as pessoas falam para os ansiosos e que você não responde por pura educação mas que tem muita vontade de dizer.

Ter ansiedade é normal

"Ah, todo mundo tem ansiedade!" Tá bom. Todo mundo tem ansiedade, é natural, é normal se sentir assim, mas eu tenho certeza que as pessoas ansiosas tem MAIS, a ansiedade dos ansiosos é PIOR que as outras. Não me venha com essa de que todo mundo sente isso, Não sentem! Não na mesma intensidade! 

Você não pode tentar controlar

Segundo muitos especialistas é isso que faz com que sua ansiedade seja patológica, o fato de você não suportar conviver com ela e tentar controlar tudo que está a sua volta no intuito de não sentir essa desgraça. Portanto, o recomendado é que você aceite a divina sensação de ser a pior pessoa do mundo à beira de uma morte lenta e dolorosa. Pois bem, você já tentou deixar um monte de formiguinhas te picar sem mexer um músculo? Já tentou começar a perder o ar e não fazer nada a respeito? Então... 

Parece que meditação ajuda

Eu queria muito conseguir meditar, mas já viu um ansioso tentando meditar? Primeiro, que se uma pessoa ansiosa começa a prestar atenção na respiração automaticamente ela perde essa capacidade inata. Tipo só de você pensar em respirar o ar já fala: "Valeu, tô indo!" E parece que você é capaz de dar um duplo twist carpado com mortal na segunda pirueta mas não é capaz de inspirar e expirar como manda a natureza. 

Segundo, que tem aquela parte de você "sentir seu corpo" e se um ansioso começa a sentir o próprio corpo ele já acha mil defeitos. Começa com o coração que parece que perdeu o ônibus e tá correndo pra alcançar, depois dá uma dorzinha de cabeça que nem estava ali antes, só apareceu porque você pensou na possibilidade dela estar, e tem ainda as pernas que nunca te obedeceram e não é porque a bonita resolveu meditar que ela vai aceitar ficar quietinha e relaxada. 

Ansiedade serve pra te proteger

Pra me proteger? E quem vai me proteger dela? O Super Rivotril? Acho que não! O que eu queria mesmo era ter a amígdala removida, uma lobotomia de amígdala pra eu nunca mais sentir medo de absolutamente nada. Provavelmente morreria de uma forma imbecil? Com toda certeza. Mas é só um desses desejos idiotas de quem vive um desespero constante e inexplicável. 

Eu também sou super ansioso, não tenho paciência de esperar por nada!

Então, meu amor, você tem aquela ansiedade marota, aquela ansiedade saudável, aquela que realmente serve pra te proteger. Não venha comparar a sua emoçãozinha com a minha dose de tortura diária, porque isso me deixa puta da vida! 

Mas não se preocupe, não. Porque do jeito que anda nossa sociedade tão civilizadamente enlouquecedora, logo logo você vai ganhar sua crise de pânico que vem no pacote "vida adulta em um mundo capitalista e demasiadamente conectado". Boa sorte! 


Post scriptum

Esse post foi só um desabafo amargurado, e peço desculpas por isso. 

Quero deixar claro que a ansiedade é normal, é um instinto de proteção primitivo, e que as pessoas ansiosas realmente tentam controlar demais essa sensação e acabam mergulhando em um redemoinho de pensamentos disfuncionais que fazem com que elas entrem em pânico.

Estudos científicos comprovam que a meditação e exercícios físicos ajudam mesmo a lidar com essa condição, assim como a terapia cognitiva comportamental.

Porém, a parte de que é possível que muitas pessoas desenvolvam essa transtornos ansiosos nos tempos em que vivemos é real. Não que eu realmente deseje isso pra alguém (talvez pro Ricardo Salles), pois eu acredito que essa seja uma das piores sensações que um ser humano pode sentir na vida. 

Portanto, procure ter uma existência mais tranquila. Não permita que o turbilhão da vida moderna te condene. Faça como eu, escreva um blog e desabafe tudo que está fazendo mal para esse coraçãozinho lindo! 


A batatinha alheia

Pesquisadores de uma universidade gringa fizeram o seguinte estudo: colocaram voluntários para provar um pacote de batatinhas (tipo ruffles, lays) e dizer o quanto achavam aquele alimento saboroso. Em cima da mesa de metade dos participantes da pesquisa havia o pacote de batatas e uma barra de chocolate, enquanto a outra metade tinha o mesmo salgadinho e um prato com sardinhas. A que resultado chegaram?

 As pessoas que comeram a batatinha ao lado das sardinhas acharam a batata mais gostosa do que os que comeram o salgadinho ao lado do chocolate. Por que será? Porque eles compararam o que estavam comendo com o que poderiam estar comendo. É assim que nosso cérebro funciona, na base da comparação. 

Agora que estou participando dessa blogagem coletiva percebo que meu blog está ao lado de sites e textos tão bem escritos e saborosos quanto chocolate suíço, e se um dia minha sardinha chegar a ser um chocolate vai estar ali no máximo no nível de um cacau show. 

Pois é, eu comecei a me comparar, e quase que não participo nessa semana porque fiquei com vergonha mesmo. Tive a oportunidade de conhecer muitos blogs novos e muitas pessoas que escrevem lindamente, e eu sinto que nunca vou alcançar tamanho talento e qualidade.

Mas voltando à pesquisa da batata, com base nesses resultados é possível chegar a conclusão que o fato de estarmos diariamente em contato com a "felicidade" (ou produtividade, talento) alheia por meio das redes sociais pode fazer com que nos sintamos mais infelizes, mas só porque temos um ponto de referência ao qual nos compararmos. O que fazer então? 

Temos a opção de desconectar da internet, apagar as redes sociais como já foi amplamente recomendado por especialistas, não ler mais os outros blogs, ignorar a estação blogagem, e nunca mais desfrutar da escrita dessas pessoas extremamente talentosas... acho que não. Não é possível se abster do contato virtual, não tem como fugir da delícia que é esse chocolate da interação social e correr pro meio do mato esquecendo que um dia foi dependente de wi-fi e smartphones (ou do google, pra descobrir como escreve direito smartphone ou se wi-fi é junto ou separado).

Contudo, parece que os pesquisadores, que servem para estudar e encontrar soluções para os problemas das blogueiras com baixa auto estima, descobriram o antídoto: gratidão. Apesar do fato de que vamos sempre comparar nosso salgadinho com a barra de chocolate e acreditar que nossa batata é menos gostosa só porque o doce está ali do lado, existe um jeito de amenizar essa dor.


A solução é ter a consciência de que um pacote de batatinhas também é gostoso demais! E nem precisa comparar com sardinha pra saber disso. O que precisamos fazer é agradecer. É perceber o valor do que nós já temos (e é aqui que entra o OUROS), valorizarmos o nosso trabalho, encontrar aquele tazo premiado no pacote da nossa batata!

A auto valorização começa com a auto empatia. É preciso se perdoar por não ser perfeito, aceitar que nem sempre dá pra ser genial, e que qualquer coisa que você faça é melhor do que não fazer nada at all! Com o tempo, e com a prática, você vai melhorando no que quer que você faça, e mesmo assim talvez nunca alcance a excelência. Mas o que importa é fazer, é se divertir, é pôr pra fora o que você tem necessidade de extrapolar. O resto é lucro! 

Quando a gente começa a valorizar o nosso trabalho, a olhar pra ele com mais compaixão, também treinamos esse olhar para o trabalho dos outros, e assim aprendemos a ser mais empáticos e, quem sabe um dia, toda a sociedade planetária consiga se respeitar e respeitar a batatinha alheia! 

PS. Sardinha é bom pra caramba, também!!!


Eu acredito no amor

Eu não sou muito de falar sobre romance ou relacionamentos, acho que porque sou bem resolvida nesse aspecto e tenho a tendência a escrever sobre o que preciso entender, o que preciso digerir. A escrita pra mim serve muito como terapia. Contudo, nesse último post da #estacaoblogagem eu faço questão de deixar claro que eu acredito no amor.

Sempre fui uma menina muito tímida, nível fobia social, e assim eu acreditava que nunca iria encontrar a outra metade da laranja. Jamais teria coragem de namorar com alguém, até porque eu nunca saia de casa, não havia possibilidade de encontrar alguém e menos ainda de alguém se apaixonar por essa criatura estranha.

Todos os garotos que se interessavam por mim eram miseravelmente feios. E não é que eu era exigente, não. Eles eram realmente horríveis demais, além de não terem nada a ver comigo. Aliás, sou uma pessoa muito diferente, demorei bastante para encontrar outros malucos que pensassem como eu.

Então, era isso: eu já estava conformada com o fato de que jamais me casaria, nunca teria uma família com filhos e bichinhos de estimação, isso simplesmente não aconteceria comigo e tudo bem, sigamos em frente.

Foi então que ele apareceu na minha vida. Ele veio atrás de mim porque eu jamais iria até ele. Ele vinha à minha casa todas as noites com a desculpa de que éramos apenas colegas que gostavam do mesmo tipo de música. Ele era meu melhor amigo, e eu dizia que jamais iria namorar com ele pois se tratava de um irmão pra mim. 

Eu incentivava ele a ficar com outras meninas, ríamos juntos das declarações de amor inusitadas que ele recebia, dividíamos o fone de ouvido e a amizade com um cara chamado Grilo. Eu amava ouvir as histórias que os dois contavam e eles amavam contar o que já haviam aprontado, assim eu me sentia mais próxima deles mesmo nunca tendo estado lá. 

Um dia, estávamos em uma viagem juntos, e no meio da noite nos embrenhamos em uma "floresta" pra ver onde iria dar o tobogã que descia por aquela selva. O Grilo decidiu que deveríamos voltar fazendo o caminho contrário do tobogã, por dentro do brinquedo que não era pequeno. Eu, obviamente, entrei em pânico. Não achava que seria capaz de entrar naquele tubo no escuro, sem saber aonde aquilo ia dar e falei que não iria. Mas e se eles fossem e me deixassem ali sozinha, no meio do mato e da escuridão? Foi aí que ele disse: eu vou com você pela trilha!

Meu pânico cedeu e eu entendi que poderia contar com ele mesmo nos piores momentos, ele era meu melhor amigo e meu porto seguro, até hoje ainda é as duas coisas. Os outros foram pelo tobogã e nós dois pela trilha no escuro. Ele não sabia mas foi ali que acabou a nossa amizade, e começou um sentimento e uma relação que daria em uma filha, um cachorro e uma hamster obesa. 

Vocês vão pensar que ele estava com segundas intenções com aquele convite de sair só os dois pela trilha, mas na verdade ele estava era com medo de subir pelo tobogã assim como eu. E depois ele também ficou com medo junto comigo quando o teste de gravidez deu positivo, quando ela caiu da rede e bateu a cabeça, quando eu tive minhas crises de pânico, quando temos que ficar muito tempo longe um do outro... 

Pois já tem aí uns vinte anos que estamos juntos, e nenhum dos dois sabe exatamente quando começamos a namorar. A gente se ama, e parece que esse sentimento vai ficar aí um tempo ainda, a dopamina já não é tão presente mas de vez em quando aparece, e a ocitocina é intensa e duradora. 

É por isso que eu acredito no amor, eu acredito que cada panela tem a sua tampa, eu acredito em conto de fadas porque eu achei meu príncipe, e sim às vezes ele é meio sapo, mas a gente se diverte tanto juntos, e a gente dá tão certo que me arrisco mesmo a dizer que seremos felizes para sempre! 

E assim termina a #estacaoblogagem. Eu fico na expectativa que @Alinevalek e @umacertagabi inventem outra coisa pra gente se divertir escrevendo e lendo blogs! Obrigada por tudo, desculpe os erros, volte sempre e seja feliz!!!!








16 de out. de 2020

Minha relação com os livros


Quem é leitor sabe que muitas vezes nós criamos relações no mínimo interessantes com alguns livros. Isso aconteceu comigo várias vezes, mas como leitora de biblioteca a situação fica bem mais complicada, pois o exemplar que você faz a leitura não é seu, e uma hora ou outra você terá que devolver o seu queridinho para que outros leitores possam saborear aquela história tanto quanto você. 





Sonho de uma noite de verão

Quando eu estava no ensino médio, pegava livros emprestados da biblioteca da escola. Um dos primeiros que eu li foi "Sonho de Uma Noite de Verão" de Shakespeare, mas numa versão infanto-juvenil. Eu amei aquela história principalmente porque já adorava o filme "Sociedade dos Poetas Mortos" onde um dos personagens apresenta essa peça no colégio. Liguei uma coisa com a outra (e também com o fato de achar o ator muito lindo) e me apaixonei perdidamente por aquele livro. 


A paixão era tanta que eu emprestava o mesmo título várias semanas seguidas, e por vezes chegava mesmo a esconder o exemplar entre os outros da estante pra que ninguém pegasse ele, pois aquele livro era só meu. 
Pensei em roubá-lo da escola? Sim, muitas vezes. Mas era uma menina certinha demais pra fazer algo assim. Você pode se perguntar porque eu não comprava o livro, e a resposta é que eu era apaixonada por aquele exemplar específico, pois foi nele que eu fiz a "melhor leitura da minha vida"!
Por fim, acabei emprestando outros livros, fazendo outras leituras tão prazerosas quanto aquela e deixei de ser uma "bibliopossessiva". No entanto, até hoje lembro desse livro e dessa história com muito carinho e tudo que diz respeito a Sonho de Uma Noite de Verão é especial para mim. 


Os miseráveis

Você pensa "ah, essa história não pode se repetir, ninguém é tão doido assim", mas eu sou. Anos mais tarde, já casada, com filhos e apenas 20% do colágeno da juventude, eu fui ler Os Miseráveis de Victor Hugo. Peguei o calhamaço emprestado da biblioteca pública da cidade. Devo dizer que foi novamente "a melhor leitura da minha vida" (sim, isso acontece todo ano comigo), e eu me vi apaixonada por mais um exemplar físico que não me pertencia. 
Sabe quando você faz toda leitura de uma obra, marcando, anotando passagens? Fica aquela coisa linda, praticamente um trabalho artístico. Pois é, aquele volume estava muito cheio de mim, e eu estava muito carregada dele, nós nos pertencíamos!
Fiz a proposta de doar outros livros pra biblioteca se eles deixassem eu ficar com aquele, eu daria quantos livros eles quisessem, lançamentos, clássicos, o que eu tivesse de mais valioso na estante. Mas a bibliotecária foi categórica: só trocamos por outro exemplar de Os Miseráveis.
Isso era uma injustiça porque tinha pelo menos mais dois livros do mesmo título por lá. Mas, tudo bem, eu fui procurar nos sebos, pois se fosse pra comprar um novo eu compraria um pra mim, né? Calhamaços são caros! 


Por fim, eu não encontrei nada em sebo algum da minha cidade, e desisti. Com lágrimas nos olhos tirei todas as flags e devolvi o livro pra biblioteca
Meu marido acabou me dando um de presente depois, mas até hoje quando passo na seção onde meu queridinho está vou lá dar uma olhada, relembrar dos personagens e folhear um pouquinho esse meu amigo.
Sabe o que é pior? Toda vez que eu vou lá o exemplar está do mesmo jeito, tenho a impressão que mais ninguém nunca emprestou esse livro depois de mim. Ou seja, não faria a menor diferença se eu tivesse ficado com ele! 

Essas foram as minhas paixões platônicas literárias, livros que marcaram minha história como leitora. Podem não estar mais comigo fisicamente mas estarão para sempre na minha memória e coração!

*****

Se eu pudesse comprar de uma vez só vários livros para ter na minha estante eu escolheria alguns que eu já li e que gostei muito, e também que acredito valerem a pena ter em casa.

Já li muitos livros da biblioteca que eu queria ter ficado pra mim. Não sou a favor de ter muitos exemplares em casa, apenas aqueles que você mais gosta, ou os clássicos mesmo. 
Fazendo um exercício de pensar em quais obras que eu já li e gostaria de ter pra mim, cheguei a essas escolhas:

O Mundo de Sofia
A história de uma menina que aprende filosofia com um estranho e se vê sugada por uma história mais confusa que Dark

Sonho de uma noite de verão
Uma baita confusão causada pelo querido Puck, faz um se apaixonar pelo outro e outro pelo burro

Diário de Anne Frank
Adolescente judia presa para se esconder dos nazistas escreve um diário sobre como está sendo crescer em meio a esse horror.

On the road
Escritor muito maluco conta suas aventuras viajando na juventude e fazendo várias besteiras como todo jovem faz

A hora da estrela
Uma menina horrível, com uma vida horrível, tem sua história contada por um escritor horrível, com um final horrível

Orgulho e Preconceito
Quando você odeia antes de amar, e prova que o contrário do amor é mesmo a indiferença.

Reparação
Quando a pessoa faz uma besteira bem grande quando é criança e tenta consertar depois de adulta.

Sidarta
Quando a pessoa descobre que pra ser Deus precisa primeiro ser homem

Ensaio sobre a cegueira
Quando um bando de gente se dá mal e só uma se dá bem, mas aí quem se deu bem é que pode se dar pior
 
 Evangelho segundo jesus cristo
Um livro que faz mais sentido que a bíblia
 
Dom Casmurro
A história de um cara muito ciumento!
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas
As memórias de um brasileiro comum como eu e você
 
O Alienista
Um livro que deixa todo mundo louco
 
Os Miseráveis
Um homem que sempre foi bom, mas os outros achavam que era mal, ele prova que a bondade sempre vence no final.
 
Grande Sertão: Veredas
Livro brasileiro escrito de uma forma que nenhum brasileiro entende
 
Antes do Baile Verde
Contos que trazem à tona a verdade sobre as pessoa
 
O Guia do Mochileiro das Galáxias  
Toda a verdade sobre o planeta terra, o universo e o sentido da vida.
 
Laranja Mecânica 
Um estudo pra provar que o comportamentalismo nem sempre funciona
 
1984
É, e infelizmente sempre será, um retrato dos nossos tempos
 
Admirável Mundo Novo
Um livro que relata o que virá a ser o nosso futuro
 
Frankeinstein
A história de um filho ingrato que foge muito
 
O Médico e o Monstro
Nada mais é do que eu e você, um sóbrio e o outro bem bêbado

O Retrato de Dorian Grey
Se você quer ser eterno tem que pagar um preço por isso.
 
Feliz Ano Velho
Um jovem muito louco que mesmo em uma cadeira de rodas continua fazendo besteiras como todo jovem faz
 
Blecaute
Tipo um fim do mundo mas que não tem explicação
 
O Hobbit
Um anãozinho que sai pra uma aventura depois que um velhinho muito alto manda ele sair

Senhor dos Anéis
Três livros pra tentar destruir um único anel que luta para não ser destruído manipulando desde elfos à homenzinhos muito feios