19 de set. de 2020

Não aguento mais as pessoas falando "Total"

Aí você está conversando com alguém e essa pessoa emite uma opinião com a qual você concorda totalmente. O que você diria pra ela? "Com certeza"? Pois saiba que você está fora de moda! Porque o legal agora é responder "Total", como se você tivesse treze anos, mesmo tendo quarenta! 



Parece que o "Total" é o novo "Com certeza", ou pior, o novo "Top". E assim como este, logo alguém vai se encher de ouvir todo mundo respondendo a mesma coisa, e provavelmente as mesmas pessoas que deram início à esse tormento, vão começar a dizer que não aguentam mais as pessoas respondendo assim quando concordam com algo que você diz. 


Portanto, antes que isso aconteça, estou aqui para declarar que já deu!


Mas primeiro preciso confessar que também sou uma vítima dessa moléstia. Não consigo parar de responder dessa forma quando o ser humano tem a mesma opinião que a minha. Pior que isso, fico na esperança de você falar algo onde eu possa encaixar como resposta um "Total" bem gostoso, e me sentir super, híper, mega cool!


Tudo começou quando passei a acompanhar umas escritoras que eu gosto. Ao assistir as entrevistas e ouvir os podcasts, reparei que elas não respondiam um simples "´verdade" "concordo" "faz sentido" "sim", elas diziam de boca cheia e expressão espantada: "Total"! E não se trata de um simples total murchinho, não! Tem que ser um "Totaaaaal" tipo "você tá muito certa amiga empoderada da porra foda pra cacete!"


 Imediatamente meu cérebro reconheceu aquela expressão como algo muito legal de se dizer, parece que eu voltei aos 14 anos de idade e a ter a necessidade de falar como meus ídolos para me sentir tão descolada, sensacional e inteligente quanto eles. Aí foi, né? Comecei a ligar pra todo mundo, a puxar conversa com quem eu nem falava ou conhecia, na esperança de poder soltar um "totalzinho" qualquer. 


Reparei que o negócio logo se espalhou, tão rápido quanto a Covid19, e a maioria das pessoas, até as que usavam máscaras e ainda estavam em isolamento, se contaminaram com o vírus da nova expressão. Parece que não há vacina pra essa doença também, porque até esse momento ninguém se manifestou contra ela. 


O interessante é que até agora eu também não vi nenhum homem se expressando dessa forma, ou eu não escuto nenhum homem ou eles não entraram nessa onda, ainda. Pode ser que seja esse o momento de finalmente acabar com essa modinha, quando os machos começarem a se apropriar dela. Será uma ótima desculpa para implementar o "não aguento mais as pessoas falando "Total". 

Você concorda? 



2 de set. de 2020

Nu, de Botas - Antônio Prata

O melhor livro que eu poderia ter lido na quarentena da pandemia de Corona Vírus. Um alento de alegria no coração em meio a tanto desespero e ansiedade. 



Acho que atualmente Antônio Prata é meu escritor preferido, leio tudo o que ele escreve e assisto a todas as lives que ele participa (se estiver lendo em outro momento da história, na pandemia tínhamos muitas lives) e escuto todos os podcasts onde ele é entrevistado. Acho ele simplesmente genial!

Nu, de botas é o livro dele que estava mais ansiosa pra ler, e agora vejo que sempre estive certa, pois é de fato o mais divertido de todos! Como pode alguém se lembrar tão bem de fatos da infância mais remota e ainda falar deles de um jeito tão bem humorado?!

Confesso que fiquei economizando muito o livro, não queria que acabasse nunca. No final decidi que tudo bem se terminasse porque esse é, com certeza, um livro que eu vou reler por pura diversão!



Partes preferidas

A primeira crônica, Gênesis, é totalmente maravilhosa. Super detalhada e com um toque poético, muito linda! A parte da história da vida da empregada e a confusão com o trabalho da mãe é quase uma lição de antropologia. 

E o que foi aquela conversa com o Bozo? Dá vontade de perguntar pro autor se foi daquele jeito mesmo. Ca ce ci co çu também foi sensacional, era algo que também sempre passou pela minha cabeça na infância. Assim como o lance da competição de brinquedos entre as crianças que eu, como o autor, só assistia. Os programas de tv não eram bem os da minha época, mas a sensação em relação à eles era exatamente a mesma. 

É muita coisa, nem consigo escrever tudo aqui. O livro é maravilhoso! Tem o clássico "Blowing in the wind" que mesmo quem não leu o livro mas gosta do Antônio, conhece! 

Já que estamos lembrando da infância, tenho que dizer que o livro me fez lembrar de um desenho que eu costumava assistir: O Fantástico Mundo de Bob. A animação mostrava como o pequeno Bob interpretava o mundo à partir do seu intelecto infantil. É mais ou menos o que o autor faz com suas memórias, ele lembra da impressão da criança naquele momento, e é isso que faz a diferença na obra. Parece que é o próprio "pratinha" que está contando a história e não sua versão adulto. 


Fazia muito tempo que eu queria ler esse livro, e ele não decepcionou. Antônio Prata é um escritor que já entrou pra história da literatura brasileira, tenho certeza que no futuro seus livros serão considerados clássicos! 

Uma das melhores leituras dessa quarentena! O Fantástico Mundo de Antônio!



Você nunca mais vai ficar sozinha - Tati Bernardi

Tati Bernardi rasgou a barriga, abriu com os dedos e tirou de lá um relato visceral sobre o relacionamento mãe e filha. Gostei e me identifiquei porque é praticamente as coisas que eu falo na minha análise.



Eu gosto muito de ler e ouvir a Tati Bernardi porque eu me sinto menos louca. Acho admirável a coragem que ela tem de trazer relatos íntimos como se estivesse mesmo em uma sessão de terapia. O que de qualquer forma deve ser catártico pra ela. Com certeza deve dar algum alívio colocar isso tudo no papel e fingir que foi a personagem que sentiu. 

Nessa obra ela traz os perrengues da gestação, a relação com a mãe, mas principalmente como foi construída essa filha que agora vira mãe. A personagem é fictícia e parte da história também. Mas muita coisa realmente aconteceu com a autora. E isso me faz tão bem porque eu vejo que não sou a única mulher, mãe, filha de outra mulher neurótica, neurótica. O neurótica serve aqui tanto pra mim quanto pra minha mãe, e espero que não pra minha filha (apesar de achar quase impossível). 

É desses livros que dá vontade de ficar amiga da autora, de conversar com ela e perguntar se aquilo aconteceu de verdade ou é a parte inventada, conte me mais sobre isso e tals. Eu já tinha me sentido assim quando li "Depois a Louca sou eu", que não tem post aqui no diário porque nessa época tava só lendo sem registrar nada. Saco cheio da internet mesmo. 

Eu me identifiquei muito com a história de Você nunca mais vai ficar sozinha, e os dois últimos capítulos da obra são arrasadores, ou pelo menos pra mim foi demais. Eu chorei, eu engasguei, eu entrei em crise e fiquei pelo menos uns dois dias digerindo principalmente o penúltimo capítulo. Mexeu muito comigo!


Ótima leitura! Mas pra quarentena acho que não me fez muito bem...



Concurso de Miss Biblioteca 1998

Tem aquelas eleições nas escolas americanas, né? O rei e a rainha do baile. 
Pois é, ela jamais iria vencer uma eleição dessas.


Porque uma eleição desse tipo tem como premissa que os candidatos sejam populares, ou por serem os "legaizinhos" da escola ou por serem os "losers" que dão a volta por cima. Ela não era nada disso.

Mas, poxa, ela tinha alguma auto estima. Sabia que nada daquilo importava porque a vida era muito mais que o ensino médio. Mentira, ela queria muito ser popular, assim como toda adolescente tímida. O fato é que ela era inteligente demais pra saber que aquilo nunca aconteceria com ela e já tinha aceitado esse dado da realidade. 

Procurou, então, trabalhar com o que tinha. 

Em um belo dia chuvoso e sonolento, principalmente quando você estuda no período da manhã, andando sem rumo pelo pátio na hora do intervalo, desesperada porque sua única amiga tinha faltado naquele dia, encontrou uma porta aberta de onde dava pra ver vários livros dispostos em uma grande, porém cambaleante, prateleira de ferro. Sem pensar duas vezes, cometeu o que seria na sua cabeça um grave delito e entrou sem pedir permissão. Acontece que a porta estava aberta para os estudantes entrarem mesmo, só que ninguém se interessava. Era a Biblioteca da escola.

Outra notinha de realidade aqui: a Biblioteca de uma escola pública brasileira consiste em uma sala menor que a cozinha dos funcionários, cheia de livros acumulados em prateleiras cinzas e tortas, que foram disponibilizados pelo Estado mas que os professores nunca usavam porque os alunos não gostavam de ler mesmo. Nesse caso específico, colocaram também uma funcionária de licença saúde pra fingir que era um tipo de bibliotecária mas que na verdade, só estava ali pra garantir que os livros não seriam roubados ou vandalizados. 

Vou te contar que aquilo ali pra nossa personagem virou o paraíso em pleno inferno, um oásis no meio de um deserto sem Blur, o sorvete de chocolate entre o creme e o morango, a balinha rosa num saquinho cheio de azuis com gosto de erva doce, o Marcelo Rubens Paiva na prateleira cheia de Augusto Cury.

Seu pensamento imediato foi "estou salva". Ela encontrou seu refúgio, nunca mais precisaria falar com ninguém, nunca mais precisaria fingir que estava fazendo alguma coisa como desculpa para não falar com ninguém, pois finalmente ela estaria mesmo fazendo algo que era mais importante, e acima de tudo mais interessante, que qualquer interação entre adolescentes totalmente polentas de uma cidade pequena.

Desse dia em diante, essa pobre criatura se perdeu no mundo dos vícios pesados, e passou a ter comportamentos estranhos como cheirar, acariciar, abraçar, alisar e até mesmo esconder (depois eu conto) livros! Começou com um desses infanto-juvenis com a história resumida do Rei Arthur, depois passou pra Shakespeare, até que encontrou Orwell e Huxley! (Esse dia foi loco!), finalmente entendeu Machado de Assis, passou por Diário de Anne Frank e os clássicos da adolescência, tentou Clarice mas ainda não era hora, Saramago foi um parto mas rolou super! 

A pobrezinha estava totalmente consumida por aquele ambiente, aqueles hábitos, envolta em lápis, post it, marcadores, prazos de entrega, completamente tomada pelas leituras. Passou a agir de forma estranha entre aqueles que a cercavam e que mal sabiam sobre essa nova fonte de dopamina , ela citava nomes que as pessoas não conheciam, usava palavras que ninguém entendia, até que chegou ao ponto de cometer loucuras como ler mais de um livro ao mesmo tempo, e atingiu mesmo o ápice de sua doença ao atrasar a devolução dos livros porque não queria se separar deles!

Aparentemente sua situação começou a preocupar a funcionária da biblioteca escolar, e essa senhora muito didaticamente (SQN) e aparentemente revoltada, se não com a situação da aluna provavelmente com a sua própria, perguntou para a leitora:

- Você não tem namorado, né? Porque você lê muito!

Aquela frase ficou ressoando em sua cabeça durante muito tempo. Ela se perguntava o que tem uma coisa a ver com a outra? Seria isso algum tipo de conselho do tipo "você precisa parar de ler e começar a namorar"? Uma funcionária da escola não deveria incentivar a leitura? Será que ela estava de saco cheio de trabalhar? 

Como forma de vingança, agora a humilhada jovem decidiu que leria ainda mais, queria ter uma overdose de Kafka, daquelas de acordar no outro dia se sentindo um inseto, queria entrar em um guarda roupa e ir pra Nárnia, ou se mudar pro Mundo de Sofia, Alice, Hermione e voltar de lá com com uma varinha e mandar aquela Madame Thérnardier pras galés do Javert!

Só que chegaram as férias, e seu plano de vingança não pôde se concretizar, pelo contrário, o que rolou foi uma bela crise de abstinência por ter que ficar longe da biblioteca da escola. Sem perspectivas de leitura, sem dinheiro para comprar livros, sem internet pra ler pdf ou wattpad, pensou em cometer um desatino mas decidiu que precisaria de outros fornecedores, e foi aí que ela encontrou a perdição: A Biblioteca Pública da cidade!!!

Você está preocupado com a nossa heroína? Teme que ela se perca em meio às obras de Olavo de Carvalho ou celebridades vazias? Pois foi muito pior! Lá ela encontrou Tolkien, Victor Hugo, Lygia Fagundes Telles, João Guimarães Rosa... Atingiu o fundo do poço cheirando e contemplando os clássicos! Seu vocabulário foi ficando cada vez mais incompreensível para as pessoas normais, ela tinha cada vez menos assunto que não fosse literatura, o que a levou para mais longe ainda da convivência mundana. Cercada por seus amigos da ficção não queria mais ter contato com pessoas reais.

Era assim: Ela acordava lendo, almoçava lendo, dormia lendo. Será possível que ela não iria aprender nada com isso? Você me pergunta. Sim, ela começou a entender melhor o mundo, as pessoas, foi amadurecendo também porque essa fase da juventude é um puta saco mesmo, e passou a enxergar as relações humanas de outra forma. Ela já estava quase melhorando desse seu vício pelo isolamento disfarçado de leitora fanática, quando outro bichinho começou a "futucar" nas suas ideias. Agora ela não queria mais ler apenas, consumir. Ela queria produzir, colocar pra fora o que armazenou por tanto tempo, tudo o que os livros ensinaram e estava guardado só pra ela. 

Foi aí que ela se convidou para o baile de formatura que é o mundo da internet. Twitter, Youtube, facebook, e essa arte falecida chamada blog. Quando chegou olhou ao redor e viu crianças, jovens e adultos falando de livros, pessoas como ela, ou nem tanto. Ficou envergonhada, lógico, com medo daquele povo todo cheio de desenvoltura com a tecnologia, conhecedores de autores que ela nunca tinha nem ouvido falar, tinha gente até que entendia Clarice Lispector! 

Percebeu que se tratava mesmo de um grande baile, onde todos se divertiam, rolava algumas tretas, todos se vestiam muito bem (não, eu só tava tentando achar alguma simetria). Contudo, esse baile era bem diferente daqueles que aparecem nos filmes teens americanos, pois apesar de todas as diferenças, dos gostos variados, das tribos e da polêmica acerca se Capitu traiu ou não, todo mundo ali gostava de ler e de falar sobre livros.

Por um momento, o bichinho da insegurança pousou novamente em sua orelhinha acostumada aos áudio livros, e ela se viu novamente naquele pátio chuvoso procurando um lugar pra se esconder, mas dessa vez não encontrou nenhuma porta, nem janela, ou aba pra salvá-la. 

Lá estava ela novamente no lugar da "loser" que nunca ganharia a eleição do baile porque não deu nenhuma volta por cima, por baixo ou por onde quer que fosse. Mas, será que não? Será que uma pessoa que encontra algo que a deixa extremamente feliz, que traz diversão e conhecimento, que ajuda a encontrar outras pessoas que gostam da mesma coisa que ela, que faz você entender e questionar o mundo e a si mesmo, será que isso não é um plot twist pra nossa heroína? 

Ah, mas se não é vai ficar sendo! Porque a figurinha decidiu que nesse baile da vida quem elegia a rainha era ela, e mais que rainha ela seria uma senhora, uma lady, uma beldade, uma esposa dos livros, e se auto proclamou: Miss Biblioteca.

E se lembrando daquela "bibliotecária" da escola, decidiu que já era hora de respondê-la: 

- "Não, eu não tenho namorado e também não tenho marido, não preciso ter, sou casada com os livros, sou a Miss Biblioteca e não preciso de nenhum Mister pra ser feliz!"

Abraçou mais uma vez aquela edição de Os Miseráveis e saiu.





1 de set. de 2020

Anna Karenina - Liev Tolstói

Em tempos de pandemia, quarentena, isolamento social, ansiedade no topo, o que a pessoa faz? Entra em um projeto de leitura de calhamaço clássico. Lógico!!!



Eu já andava desesperada com o Corona Vírus, não conseguia pensar em outra coisa, toda semana achava que daquela vez eu estava doente mesmo. Já estava quase enlouquecendo, quando o maravilhoso Christian Assunção decidiu fazer essa leitura coletiva de Anna Karenina. Ele literalmente salvou minha vida nessa pandemia, ou pelo menos a minha saúde mental.

O romance escrito por Liev Tolstói fala sobre famílias, mais especificamente sobre uma família em decadência e a outra em construção. Mas o mais interessante da história toda é a forma como ele apresenta os personagens, como todos são o que realmente são, sem enfeites, são puramente humanos.  

Isso é tão evidente na trama que eu, e muitos outros leitores, não consegui gostar de nenhum personagem em especial. Uma hora você ama um, depois passa a odiar o dito cujo, em outra hora tem dó daquele que odiou e amor ao que odiava. É uma maravilha! 

Eu gostei bastante dessa leitura, não conseguia parar de ler. Você olha para o tamanho desse calhamaço, escrito por um autor consagrado como Tolstói, e acha que não será capaz de ler isso tudo, que deve ser muito difícil! Nada, bobo! É muito fácil de ler, é como assistir a uma novela das seis. Quando você se dá conta já chegou na próxima parte e não tem nenhuma vontade de fechar o livro.

Muitas pessoas não conseguem gostar da personagem que dá nome à obra. Na verdade, os leitores costumam ficar divididos entre aqueles que a odeiam e aqueles que se compadecem dela. Eu confesso que senti as duas coisas, mas no final senti mesmo foi dó. Hoje posso compreender o comportamento dela, mesmo não concordando com algumas atitudes, ela é uma mulher que sofreu muito, e não deu conta de suportar toda essa dor, como fez por exemplo Dolly. Ela também não tinha uma vida nada fácil, sofreu bastante, mas conseguiu lidar com tudo isso da melhor forma possível. 

Quanto à Liévin, fiquei um pouco decepcionada com ele. Em uma parte da história eu gostava muito dele e odiava Anna, mas no final, passei a compreender Anna e me revoltei com Liévin. Achava que ele teria um final mais corajoso, mas toda crise existencial por qual passou não o levou a nada. Mas talvez quem esteja falando aqui seja meu preconceito religioso e não a leitora.

 

A minha mãe é uma super noveleira, daquelas que fica extremamente revoltada quando perde um capítulo da novela por qualquer motivo. E olha que agora, na pandemia, as obras estão sendo todas reprisadas e mesmo assim ela enlouquece se não consegue assistir a trama um dia que seja. Sim, eu argumento: "Mas, mãe, você já viu essa novela, é repetida!" ela responde: "Mas eu não lembro, e depois a novela serve pra me acalmar, quando eu assisto esqueço de tudo que está me preocupando". 

Pois bem, foi isso! Foi isso que Anna Karenina fez por mim, esse novelão de Tolstói me fez esquecer a pandemia, acalmou meu coração e ainda me proporcionou contato social com leitores maravilhosos do telegram, no grupo do Christian. 

Em momentos de isolamento, ficar longe de pessoas que amamos e de amigos que nos distraem faz muita falta, não é a toa que Karenina não queria ficar sozinha na fazenda longe de Vronski e da sociedade russa, a solidão pode fazer mesmo as pessoas enlouquecerem, perderem o rumo. Foi isso que aconteceu com Anna ao ser expulsa do convívio social de seus pares, e como muita gente está fazendo nessa quarentena, ela se dopou e se afundou na mais profunda tristeza e paranóia. 

Ainda bem que nossos tempos são diferentes e temos acesso à terapia online, influenciadores digitais queridos como Christian, grupos de conversa sobre assuntos que nos interessam, e acima de tudo clássicos da literatura mundial para nos ajudar a manter a sanidade. 

Talvez nem tudo tenha mudado como gostaríamos. Em pleno 2020 estamos matando pessoas por preconceito e ignorância, destruindo o planeta que é nossa casa, e ainda somos muito machistas, pois ao lermos uma obra como essa continuamos julgando as mulheres desse livro da mesma forma que as pessoas que viveram naquele tempo fizeram. 

Contudo, acredito que a arte ainda tenha a capacidade de salvar nossas pobres almas. A literatura me salvou nessa pandemia e tenho esperança de que os livros consigam salvar a nossa sociedade em algum momento. 

Portanto, leiam Anna Karenina!